Escrever sobre minha estadia trabalhando nesse famoso sebo de Copacabana está se tornando um vício muito prazeroso! Assim mais uma vez vos trago um episódio passado neste lugar.
Bem se sabe que a vida do comércio tem seus altos e baixos, as vezes muito mais baixos! Num dia desses de chuva, em que o carioca derrete como açúcar se sair na rua, estávamos eu e Leandro, meu parceiro de turno, totalmente entediados na loja. Já tínhamos arrumado tudo, conferido as novas compras, botado preço, organizado as estantes, realmente a loja estava um brinco, só faltava o principal, o cliente. Nesse marasmo, cercado por parte significativa do saber humano, Leandro se contorcia no balcão. Ia até a vitrine da loja, olhava o dia turvo, a chuva que caia sonolenta respingando o vidro da frente. Seu olhar de desconsolo e inconformidade dava pena de se ver! Foi quando percebi um lampejo, um “brainstorm” possuindo a mente do meu parceiro, ele sentou no computador e rapidamente confeccionou o que me parecia um cartaz, correu para o fundo da loja onde havia uma sobra de um lote de vinis que não sabíamos que fazer, sacou um dos Lps e me disse:
- Cara! Vamos fazer uma promoção!
Ele mostrou o disco do Sergio Malandro, veterano apresentador de TV e humorista, no cartaz estava escrito em fonte grande:
Faça Um Glu-Glu para o Livreiro e leve Sergio malandro de Graça!!!
Na hora de uma gargalhada, pois realmente a piada era boa, “vem fazer glu-glu” era hit trash dos anos oitenta, que quem tem menos de trinta anos não deve lembrar. Eu duvidava quem alguém ia pagar esse mico para levar o disco, realmente cantar a musica, e mais, fazer o gesto do apresentador meio que cantando o Livreiro, era constrangedor demais! Leandro nem me ouvia, afirmava com veemência:
- Veio! Isso vai agitar a loja!
Naquele dia lamacento, realmente poucas pessoas entraram na loja, as poucas que entraram nem perceberam o cartaz, mas ele ficou lá em destaque. Nos dias subsequentes algumas pessoas reparavam na promoção, umas achavam estranho, outras morriam de rir, mas nem uma teve coragem de topar a brincadeira pelo Lp.
Numa segunda-feira tórrida, daquelas que até o Cristo redentor se abana, estávamos nós quase na hora de trocar o turno de trabalho no sebo, quando adentra a loja um argentino, sabíamos que era portenho pois tinha um cabelão, costeletas grandes e falava com a língua frouxa nos dentes. Na hora que o gringo viu o Lp do Sérgio Malandro foi amor a primeira vista, ele afobadamente se dirigiu a mim apontando o disco e perguntou!
- Quanto!? Quanto!?
Olhei para o Leandro e disse:
- Velhinho você inventou a promoção, agora explica para ele.
Leandro desenrrolou a língua como o gringo, num “portunhol “ de dar gosto de ver, o argentino fazias caras e bocas, fazia gestos que significavam dinheiro, estava disposto a dar o que fosse pelo Lp, mas Leandro estava irredutível queria o “ Glu-Glu! Vendo que não haveria jeito de possuir a relíquia trash sem cunprir a tarefa da promoção, sucumbiu. Pediu para gente tocar a musica, porque assim a capela não ia rolar. Obvio que botamos o Leandro sentado atrás do balcão, o argentino ia fazer o show para ele.
Assim começou a rolar na pick-up da loja “Vem fazer Glu-Glu”, o gringo rebolava, jogava beijinho, fazia o sinal do glu-glu para o Leandro atrás do balcão, a loja estava cheia, e o povo ria solto! Depois de tudo acabado, nosso dançarino de ocasião, saiu da loja feliz e contente com seu troféu de baixo do braço. Leandro ria meio constrangido ouvindo as piadas do Marcelo, um dos donos do sebo que dizia:
- Não sei se ele gostou mais do disco ou de fazer Glu- Glu para você!
Também não me furtei a completar a ironia:
- Ai Leandro! Acho que rolou um sentimento! Acho que o gringo gamou!
Leandro dava de ombros e se deleitava com a promoção cumprida, prometendo mais emoções hilárias no nosso sebo.
20 dezembro 2008
16 dezembro 2008
Manuel Carlos e o Reino Encantado do Leblon
Mais um dia em um famoso sebo de Copacabana. Cheguei como sempre nos pontuais 15 minutos de atraso para o expediente do dia. Meu companheiro de turno, Leandro já estava lá com o loja aberta, e os bibliófilos matutinos já estavam povoando a loja. Quilos de lixo estavam nos fundos no chão, os alfarrabistas chamam de lixo livros de Best seller , livros de banca de jornal e qualquer livro de grande tiragem, pois não tinham muito valor de revenda . Sidney Sheldon, Danielle Stills, Paulo Coelho, centenas deles estavam lá, olhei com espanto e perguntei:
- Onde estão as coisas boas que valeram esse lixo todo?
Leandro apontou uma pilha de uns 120 livros no canto da loja. Geralmente as pessoas quando vendem livros usados, vendem livros de algum parente que morreu, vendem porque querem se mudar e não querem levar peso, e querem que o sebo leve todo o lote. Nisso os livros de valor vem misturados com o lixo. Estavam lá extraídos da massa de “Sabrinas “ e “Julias”, uma coleção completa do Asimov, vários volumes do Nelson Rodrigues, sem falar em Flaubert, Guy de Maupassant e outros. Literatura assim da gosto de um Livreiro vender.
O sebo também é um lugar de discussões acaloradas sobre literatura, política , história e assuntos que tenham haver com publicações e livros. Nesse dia em especial estava lá um professor de literatura da UFRJ, Prof. Antonio Carlos, um aficionado que era cliente do sebo desde de que abriu, ia lá sempre não só para achar raridades, mas bater um papo sobre elas. Não existe nem um lugar melhor no mundo para um bom papo sobre livro e cultura do que um sebo. Leandro e o Professor debatiam sobre novelas, nosso literato segurava um volume de “Senhora” de José de Alencar, e divagava sobre o folhetins dos jornais do século XIX e como eles influenciaram a origem das telenovelas. Leandro acrescentava:
- A Novela para mim é crônica social brasileira! Falava animado com o papo. O professor também animado continuava a falar:
- É, se observarmos bem, vários clássicos da literatura nacional foram adaptados para televisão, os revitalizando e os inserindo no contexto popular, como “Gabriela” do Jorge Amado.
Tudo ia bem no nosso debate matutino, varias conexões , as novelas e crônica da cidade, Lima Barreto e Janete Clair andavam de mãos dadas nas nossas elucubrações. Até que o Professor resolveu citar o Manuel Carlos e suas novelas, como por exemplo “Por amor”, e como ele fazia a crônica da vida privada carioca. Nessa hora Leandro ficou indignado, e teceu seu comentário mordaz:
- Ah não Professor! Esse cara não dá! Manuel Carlos e Reino Encantado do Leblon, onde a madame, o segurança e a faxineira moram no mesmo bairro, e mais, compram no mesmo supermercado! Esse cara faz a crônica da ilusão carioca, isso sim!
Gargalhadas ruidosas perturbaram o clima de silencio da loja, até quem não estava no papo riu também. O Professor não conseguiu conter os risos , assentiu com a cabeça e fez um sinal de O.K.
- Onde estão as coisas boas que valeram esse lixo todo?
Leandro apontou uma pilha de uns 120 livros no canto da loja. Geralmente as pessoas quando vendem livros usados, vendem livros de algum parente que morreu, vendem porque querem se mudar e não querem levar peso, e querem que o sebo leve todo o lote. Nisso os livros de valor vem misturados com o lixo. Estavam lá extraídos da massa de “Sabrinas “ e “Julias”, uma coleção completa do Asimov, vários volumes do Nelson Rodrigues, sem falar em Flaubert, Guy de Maupassant e outros. Literatura assim da gosto de um Livreiro vender.
O sebo também é um lugar de discussões acaloradas sobre literatura, política , história e assuntos que tenham haver com publicações e livros. Nesse dia em especial estava lá um professor de literatura da UFRJ, Prof. Antonio Carlos, um aficionado que era cliente do sebo desde de que abriu, ia lá sempre não só para achar raridades, mas bater um papo sobre elas. Não existe nem um lugar melhor no mundo para um bom papo sobre livro e cultura do que um sebo. Leandro e o Professor debatiam sobre novelas, nosso literato segurava um volume de “Senhora” de José de Alencar, e divagava sobre o folhetins dos jornais do século XIX e como eles influenciaram a origem das telenovelas. Leandro acrescentava:
- A Novela para mim é crônica social brasileira! Falava animado com o papo. O professor também animado continuava a falar:
- É, se observarmos bem, vários clássicos da literatura nacional foram adaptados para televisão, os revitalizando e os inserindo no contexto popular, como “Gabriela” do Jorge Amado.
Tudo ia bem no nosso debate matutino, varias conexões , as novelas e crônica da cidade, Lima Barreto e Janete Clair andavam de mãos dadas nas nossas elucubrações. Até que o Professor resolveu citar o Manuel Carlos e suas novelas, como por exemplo “Por amor”, e como ele fazia a crônica da vida privada carioca. Nessa hora Leandro ficou indignado, e teceu seu comentário mordaz:
- Ah não Professor! Esse cara não dá! Manuel Carlos e Reino Encantado do Leblon, onde a madame, o segurança e a faxineira moram no mesmo bairro, e mais, compram no mesmo supermercado! Esse cara faz a crônica da ilusão carioca, isso sim!
Gargalhadas ruidosas perturbaram o clima de silencio da loja, até quem não estava no papo riu também. O Professor não conseguiu conter os risos , assentiu com a cabeça e fez um sinal de O.K.
10 dezembro 2008
Intelectual de Bolso
Hoje ! Um dia modorrento, no qual o calor faz as maiores moscas varejeiras pouparem energia, rastejando em vez de voar. Vasculho as velhas caixas empilhadas no quartinho dos fundos da casa, misturando meu suor as lembranças poeirentas de uma vida que parece curta na minha memória, mas imensa na materialidade das tralhas acumuladas.
Aquele livro do Nietzsche que nunca li, mas sempre citei pela orelha, o disco do Bruce Springsteen, todo aranhado de tanta festa, o Boquen (espada samurai de madeira) do Aikido, que tanto me ajudou a aprender a arte de não lutar, o retrato da velha namorada, amor infinito mas que não teve nada de eterno, nem durou. Estava atrás de um texto para fazer citação em um artigo, ma acabei me perdendo na memória material de uma vida que parecia ter escorrido pelos dedos como o tempo , mas agora se demonstrava ter sido ponteada por inúmeras façanhas cotidianas. Nem lembrava mais, mas ali estavam guardados todas minhas provas e trabalhos de faculdade, os dez, os oito e por aí vai... Como um caminho , todos estavam arrumados por datas e semestres concluídos. Passando meus dedos por eles, li e reli as agruras e sucessos de minha vida acadêmica, algumas coisas que acreditava, e hoje não acredito mais, idéias que não desenvolvi, e outras que viraram minhas mais fiéis certezas de bolso, todas nessa trilha retalhos que se amalgamaram no que penso e sou.
Voltei ao meu notebook para ver se terminava o meu artigo, mas a concentração já tinha ido para o espaço, na minha saudosista visita ao passado me perdi do que tinha que fazer. Assim resolvi dar uma passeada no mundo cibernético. Fui ao blog de meu dileto amigo Pereira o “Nemeton”, lá ele da vazão aos seus pensamentos e opiniões sobre nosso universo cultural e intelectual. Crônicas que vão de Metallica a Jung, uma coletânea impressionante de conhecimento em extratos que suscitam excelentes reflexões. Ele respondia a um comentário meu sobre uma crônica sua, e me aconselhava olhar as postagens anteriores para elucidar meus questionamentos. Assim o fiz. Para meu deleite e surpresa refiz o pensamento de meu amigo, nos fragmentos soltos percebi também o caminho que ele fez na sua formação. Na colcha de retalhos de nossas suposta intelectualidades sacamos de nossos bolsos de conhecimento, opiniões e reflexões sobre o que nos inquieta e fascina. No Blog, veículo silencioso, expomos tudo que queríamos que fosse lido por nossos interlocutores ausentes, tudo que um dia ficará guardado nesse empoeirado quartinho virtual.
Aquele livro do Nietzsche que nunca li, mas sempre citei pela orelha, o disco do Bruce Springsteen, todo aranhado de tanta festa, o Boquen (espada samurai de madeira) do Aikido, que tanto me ajudou a aprender a arte de não lutar, o retrato da velha namorada, amor infinito mas que não teve nada de eterno, nem durou. Estava atrás de um texto para fazer citação em um artigo, ma acabei me perdendo na memória material de uma vida que parecia ter escorrido pelos dedos como o tempo , mas agora se demonstrava ter sido ponteada por inúmeras façanhas cotidianas. Nem lembrava mais, mas ali estavam guardados todas minhas provas e trabalhos de faculdade, os dez, os oito e por aí vai... Como um caminho , todos estavam arrumados por datas e semestres concluídos. Passando meus dedos por eles, li e reli as agruras e sucessos de minha vida acadêmica, algumas coisas que acreditava, e hoje não acredito mais, idéias que não desenvolvi, e outras que viraram minhas mais fiéis certezas de bolso, todas nessa trilha retalhos que se amalgamaram no que penso e sou.
Voltei ao meu notebook para ver se terminava o meu artigo, mas a concentração já tinha ido para o espaço, na minha saudosista visita ao passado me perdi do que tinha que fazer. Assim resolvi dar uma passeada no mundo cibernético. Fui ao blog de meu dileto amigo Pereira o “Nemeton”, lá ele da vazão aos seus pensamentos e opiniões sobre nosso universo cultural e intelectual. Crônicas que vão de Metallica a Jung, uma coletânea impressionante de conhecimento em extratos que suscitam excelentes reflexões. Ele respondia a um comentário meu sobre uma crônica sua, e me aconselhava olhar as postagens anteriores para elucidar meus questionamentos. Assim o fiz. Para meu deleite e surpresa refiz o pensamento de meu amigo, nos fragmentos soltos percebi também o caminho que ele fez na sua formação. Na colcha de retalhos de nossas suposta intelectualidades sacamos de nossos bolsos de conhecimento, opiniões e reflexões sobre o que nos inquieta e fascina. No Blog, veículo silencioso, expomos tudo que queríamos que fosse lido por nossos interlocutores ausentes, tudo que um dia ficará guardado nesse empoeirado quartinho virtual.
18 novembro 2008
Wasp Out
Lá pelos idos de 1992 estava eu ainda nos bancos dos cursinhos pré-vestibulares, assistindo as aulas de Geografia do Professor Pádua. Seus trejeitos nordestinos, seu humor ferino e aula que mais parecia de política que de geografia nos prendia a atenção. Estávamos estudando os EUA e a formação dos mercados comuns continentais, Merco sul, NAFTA e o Mercado Comum Europeu, hoje a União Européia. Pádua citava outro grande professor, Ricardo Libório ( O “Capitão Caverna” por causa de seus cabelos e barba grande), e suas contribuições vestibulares ao estudo da “Geoestratégia”. Naquele tempo a Primeira Guerra do Golfo preocupava nosso grande professor de geografia, esbravejava ele como a guerra e sua mobilização manipulava a economia mundial. Dizia que implicações do conflito causaram até o adiamento da união econômica dos países europeus. Na época Gorge Bush, o pai, tentava a reeleição frente ao candidato democrata Bill Clinton. Fazíamos as considerações de sempre, sobre o quê poderia ser melhor para a América Latina, um candidato republicano, ou democrata, mas chegamos a conclusão que não mudava muita coisa na verdade, pois os dois candidatos, adespeito das suas posições políticas, não deixavam de ser americanos. Quando um aluno perguntou :
- E se Jesse Jackson( reverendo negro candidato independente) ganhasse?
Pádua deu uma gargalhada, olhou com olhar terno, mas debochado para o aluno perguntador e respondeu:
Meu Filho! Nos EUA só ganharam, e só ganham as eleições candidatos que forem W.A.S.P.
Fora o grupo de Havy Metal de mesmo nome, não sabia a origem da sigla, permaneci em silencio como todos , olhando para a cara de sabichão que Pádua fazia enquanto deixava suspense silencioso rolar no ar. Então quebrou o silêncio falando alto e escrevendo a sigla no quadro, puxou setinhas para exemplificar seu significado, e disse:
- Meus filhos! W.A.S.P! White, Angle-saxon & Protestant! Branco, Anglo-saxão, e Protestante! A matriz da elite americana, só candidatos com esse perfil foram presidentes, e sinceramente o Reverendo Jesse Jackson não tem chance alguma. Só pode fazer um pouco de barulho resgatando a memória do Martin Luther King.
Ficamos pasmos com a observação de nosso mestre, mas fomos forçados a concordar com ele frente aos fatos históricos.
No ultimo 4 de Novembro acompanhei a eleição de Barak Obama e pensei, presidente negro, filho de imigrantes, sendo ameaçado de morte, só falta o Jack Bauer nessa história! (personagem de Kiffie Surterland no seriado 24hs) Contudo uma imagem me marcou demais, e creio que marcou todos. Quando da confirmação da eleição de Obama, a TV focou a multidão, e lá estava aos prantos o Reverendo Jesse Jackson. O que era quase uma piada a 16 anos atrás, agora é uma realidade, a eleição do primeiro presidente negro dos EUA. Não sei o que está pensando o Professor Pádua disso tudo, mas de certo eu e ele estamos vendo uma mudança substancial no ethos americano, não sei se para melhor, ou, para pior, pois Obama ainda é americano. Creio que a “Republica Imperial”, segundo Raymond Aron, está em mutação. Comparado com o maior império do ocidente , o Romano, este quando começou a se miscigenar com os povos bárbaros ao seu redor, e os generais de origem bárbara começaram a se tornar imperadores; este entrou em seu declínio. Será que a eleição de Obama marca o começo da fragmentação do poder americano? Realmente é presunção querer responder essa pergunta, mas não custa ficar de orelha em pé , e olhos abertos.
- E se Jesse Jackson( reverendo negro candidato independente) ganhasse?
Pádua deu uma gargalhada, olhou com olhar terno, mas debochado para o aluno perguntador e respondeu:
Meu Filho! Nos EUA só ganharam, e só ganham as eleições candidatos que forem W.A.S.P.
Fora o grupo de Havy Metal de mesmo nome, não sabia a origem da sigla, permaneci em silencio como todos , olhando para a cara de sabichão que Pádua fazia enquanto deixava suspense silencioso rolar no ar. Então quebrou o silêncio falando alto e escrevendo a sigla no quadro, puxou setinhas para exemplificar seu significado, e disse:
- Meus filhos! W.A.S.P! White, Angle-saxon & Protestant! Branco, Anglo-saxão, e Protestante! A matriz da elite americana, só candidatos com esse perfil foram presidentes, e sinceramente o Reverendo Jesse Jackson não tem chance alguma. Só pode fazer um pouco de barulho resgatando a memória do Martin Luther King.
Ficamos pasmos com a observação de nosso mestre, mas fomos forçados a concordar com ele frente aos fatos históricos.
No ultimo 4 de Novembro acompanhei a eleição de Barak Obama e pensei, presidente negro, filho de imigrantes, sendo ameaçado de morte, só falta o Jack Bauer nessa história! (personagem de Kiffie Surterland no seriado 24hs) Contudo uma imagem me marcou demais, e creio que marcou todos. Quando da confirmação da eleição de Obama, a TV focou a multidão, e lá estava aos prantos o Reverendo Jesse Jackson. O que era quase uma piada a 16 anos atrás, agora é uma realidade, a eleição do primeiro presidente negro dos EUA. Não sei o que está pensando o Professor Pádua disso tudo, mas de certo eu e ele estamos vendo uma mudança substancial no ethos americano, não sei se para melhor, ou, para pior, pois Obama ainda é americano. Creio que a “Republica Imperial”, segundo Raymond Aron, está em mutação. Comparado com o maior império do ocidente , o Romano, este quando começou a se miscigenar com os povos bárbaros ao seu redor, e os generais de origem bárbara começaram a se tornar imperadores; este entrou em seu declínio. Será que a eleição de Obama marca o começo da fragmentação do poder americano? Realmente é presunção querer responder essa pergunta, mas não custa ficar de orelha em pé , e olhos abertos.
27 outubro 2008
Blog: Solidão do Escritor?
De novo me vejo as voltas com o tema mais implícito da sociedade moderna: A Solidão.
Quando nos bancos da Universidade Federal Fluminense, como já tivesse saído de lá...rs...! Bem...Whatever... Lia eu o historiador americano , mas francófilo de carteirinha, Robert Darton. Devorava com avidez sua célebre obra “Boemia Literária e Revolução”, que aborda o movimento panfletário pré-revolucionário que graçava pela Paris setecentista. Darton com maestria prova que os textos que influenciaram a Revolução Francesa não foram os escritos iluminista, e sim os panfletos que circulavam pela ruas de Paris. Revisando a tese de André Maurro em “Origens Intelectuais da Revolução Francesa”, de que filósofos como Voltaire teriam feito a cabeça dos Revolucionários. Tais intelectuais circulavam nos grandes salões do reino, não eram lidos pelo populacho. Marrat , Brissot, Robespierre e Danton eram a os panfletista, a boemia literária que nas esquinas, prostibulos e tavernas de Paris, entre uma caneca de vinho e taça de genebra pregavam a insurreição para raia miúda de Paris.
Analogia é uma arma do método dedutivo, meu treinamento como historiador não permite eu me furtar a usá-la, assim quando passeio pelos milhares de Blogs da Wide World Web( Rede mundial de computadores) é inevitável a comparação com os panfletista. A infinidade de Blogs parecem um universo em si, enquanto os panfletos estavam irmanados em uma causa. Vejo erudição sem fim solitária,ou simplesmente confinada a meia dúzia de leitores amigos. Walter Moreira Sales dirigiu um filme que conta a história de uma blogueira, escritora de blog e guerreira, que luta para sair desse publicismo anônimo que esta forma literária cibernética proporciona. Claro que existe muita porcaria no universo deste tipo de site, mas as narrativas ricas e sozinhas, boiando pela imensidão da net me chamam atenção. Penso se devia lançar um manifesto blogueiro, “Blogueiros do mundo uni-vos!”..rs... Se já não existe um assim! Também seria um problema arranjar uma causa que concatenasse toda essa energia literária numa só direção. Essa é mais uma face da solidão moderna , uma publicação anônima, um manifesto de individualidade criativa esperando sair da tela e ganhar mundo no velho papel , no velho códice incunábulo chamado livro.
Quando nos bancos da Universidade Federal Fluminense, como já tivesse saído de lá...rs...! Bem...Whatever... Lia eu o historiador americano , mas francófilo de carteirinha, Robert Darton. Devorava com avidez sua célebre obra “Boemia Literária e Revolução”, que aborda o movimento panfletário pré-revolucionário que graçava pela Paris setecentista. Darton com maestria prova que os textos que influenciaram a Revolução Francesa não foram os escritos iluminista, e sim os panfletos que circulavam pela ruas de Paris. Revisando a tese de André Maurro em “Origens Intelectuais da Revolução Francesa”, de que filósofos como Voltaire teriam feito a cabeça dos Revolucionários. Tais intelectuais circulavam nos grandes salões do reino, não eram lidos pelo populacho. Marrat , Brissot, Robespierre e Danton eram a os panfletista, a boemia literária que nas esquinas, prostibulos e tavernas de Paris, entre uma caneca de vinho e taça de genebra pregavam a insurreição para raia miúda de Paris.
Analogia é uma arma do método dedutivo, meu treinamento como historiador não permite eu me furtar a usá-la, assim quando passeio pelos milhares de Blogs da Wide World Web( Rede mundial de computadores) é inevitável a comparação com os panfletista. A infinidade de Blogs parecem um universo em si, enquanto os panfletos estavam irmanados em uma causa. Vejo erudição sem fim solitária,ou simplesmente confinada a meia dúzia de leitores amigos. Walter Moreira Sales dirigiu um filme que conta a história de uma blogueira, escritora de blog e guerreira, que luta para sair desse publicismo anônimo que esta forma literária cibernética proporciona. Claro que existe muita porcaria no universo deste tipo de site, mas as narrativas ricas e sozinhas, boiando pela imensidão da net me chamam atenção. Penso se devia lançar um manifesto blogueiro, “Blogueiros do mundo uni-vos!”..rs... Se já não existe um assim! Também seria um problema arranjar uma causa que concatenasse toda essa energia literária numa só direção. Essa é mais uma face da solidão moderna , uma publicação anônima, um manifesto de individualidade criativa esperando sair da tela e ganhar mundo no velho papel , no velho códice incunábulo chamado livro.
20 outubro 2008
Solidão, ou, "Desenraizamento do mundo'*
Apesar do tema ser extremamente recorrente na literatura universal, e os ensaios , letras de musica, poemas e canções evocando o este sentimento e sensação humana sejam abundantes e exaustivos, me é irresistível não abordar o tema e também não expor minhas próprias divagações de botequim, minhas digreções a luz tépida de um bar sorvendo o ultimo gole de cerveja.
Dentro do espírito lúdico e alcoólico que me abate nesta segunda feira chuvosa, na verdade estou de ressaca mesmo, assim relatarei minha ultima investida boemia que inspirou tal reflexão.
Um domingo chuvoso, onde os carros empurram p/ as sarjetas a lama escura produzida pela fuligem da cidade e chuva, embora o Rio de Janeiro ser uma cidade solar, num dia como esse até a mais bela cidade toma um ar de Gottan City. Acordei com a garganta ruim quase fechando, fui buscar alivio na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) onde agora casos que não são realmente emergência são atendidos. Chegando a UPA da tijuca, a mais próxima da minha casa por incrível que pareça pois moro em Jacarepaguá, vê-se instalações modernas, limpas , cadeiras confortáveis, televisão de LCD, uma maravilha, porem nem tudo é perfeito. A seleção do atendimento é por nível de risco, assim você que ta quase sem falar por causa de uma dor de garganta espera horas porque sempre tem alguém com mais risco na sua frente, o legal é que ninguém te explica esse critério de risco. Foi isso que aconteceu comigo, tinha uma senhora que tava quase desmaiando de enxaqueca, mas tava esperando a horas pois enxaqueca não se prova ser muito arriscada a morte, apesar da dor pirar agente. Eu e ela ficamos umas três horas vendo a sala de espera encher e esvaziar , e nada de atendimento. É incrível a sala de atendimento de um pronto socorro publico, um monte de gente sofrendo, dores e faces consternadas por todos lados, enfermeiras passando de um lado p/ outro, médicos também, alguns rindo fazendo piada com os colegas e nas cadeiras as pessoas lá aguardando o maldito monitor estampar seus nomes para o atendimento. Depois de longa espera fui atendido por doutora loirinha linda de sotaque sulista, olhou a garganta e cinco minutos me receitou um antiinflamatório e me despachou. Ao sair da unidade tive uma rara visão, a Praça Sãs Penã quase deserta num tom cinza dado pela chuva, eu não estava muito afim de voltar p/ casa , assim vasculhei a agenda do celular atrás de algum amigo morador da tijuca que pode-se conversar e me ajudar a amainar minha solidão chuvosa. Achei o Mauro que também estava só em casa,mas muito mais confortável na seu próprio isolamento voluntário, como o Mauro é um grande amigo, aceitou que perturbasse sua meditação ressaquista de domingo com minhas angustias, assim me dirigi ao seu refugio na Rua Maria Amália.
Mauro com bom boêmio, já me recebeu com uma gelada esfumaçando de frio, nevada pelas gotículas de vapor d’água do ar que indicam ao bebum que a cerveja está própria para o consumo! Ele estava preparando o almoço, assim me recostei num baquinho na cozinha , onde nós historiadores de oficio, filisofos de botequim por profissão, começamos a divagar sobre temas universais. Viajamos até o século XIII, inicio do renascimento italiano, a construção da individualidade, Petrarca e a imitatio modrena, Dante e seus novos conceitos de política, e claro Maquiavel e sua milhares de interpretações através dos tempos. Abordamos um autor em especial, Jacob Buckhart e sua celebre obra “A cultura do renascimento na Itália”, e como homem moderno se diferenciava do medieval ao criar uma nova sociabilidade, construindo uma natureza que independia do grupo, do coletivo, criando um indivíduo que era suficiente em si, que dava seus primeiros passos para uma nova forma de vida só. Entre um gole outro o papo foi da erudição dos modernos, até as nossas próprias desventuras, insucessos profissionais e amorosos, já que eu acabava de terminar um relacionamento e estava procurando mesmo era um ombro amigo. Almoçamos mas o paladar ainda pedia mais algumas geladas, Mauro sugeriu um autêntico boteco tijucano localizado na praça Xavier de Britto, o Bar do Neca, pertencente ao seu Manel autentico português de Detrás Dos Montes. Lá pedimos uma Boemia gelada , excelente representante do néctar bávaro, que sorvermos com prazer alviçareiro. No fundo do bar havia uma mulher morena de olhos verdes, que apesar dos castigos do tempo exibia uma beleza resistente. Sorvia sua cerveja acompanhada de uma taça de Steinheighan (Água ardente alemã), parecia não ligar para os presentes e estava absorta em seus pensamentos. Não consegui tirar os olhos dela, e a fitava com canto dos olhos enquanto conversava com o Mauro e bebia minha cerveja. Quando ela veio ao balcão puxei papo, mas ela não deu muita atenção, e voltou para sua embriagues solitária em sua mesa. Apesar da rudeza daquela mulher continuava a beber a olhar para ela, sua postura distante, seu jeito atemporal parecendo estar inerte no século. De repente ela levantou, virou o ultimo gole de cerveja e ultima talagada na taça, veio ao balcão jogou o dinheiro para seu Manel e se dirigiu a mim:
- Lindo hoje não é dia de papo, quem sabe outro dia!
Afagou meu rosto e foi embora, me dirigi ao Mauro e disse:
- É isso Mauro! O que a nossa sociedade moderna conseguiu!
- O que cara? Perguntou Mauro intrigado.
- A Solidão veio! A Solidão é a maior conquista da Modernidade!
*O segundo título é uma contribuição inestimável do Grande Carlos Pereira Jr, o "Focault Negro"
Dentro do espírito lúdico e alcoólico que me abate nesta segunda feira chuvosa, na verdade estou de ressaca mesmo, assim relatarei minha ultima investida boemia que inspirou tal reflexão.
Um domingo chuvoso, onde os carros empurram p/ as sarjetas a lama escura produzida pela fuligem da cidade e chuva, embora o Rio de Janeiro ser uma cidade solar, num dia como esse até a mais bela cidade toma um ar de Gottan City. Acordei com a garganta ruim quase fechando, fui buscar alivio na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) onde agora casos que não são realmente emergência são atendidos. Chegando a UPA da tijuca, a mais próxima da minha casa por incrível que pareça pois moro em Jacarepaguá, vê-se instalações modernas, limpas , cadeiras confortáveis, televisão de LCD, uma maravilha, porem nem tudo é perfeito. A seleção do atendimento é por nível de risco, assim você que ta quase sem falar por causa de uma dor de garganta espera horas porque sempre tem alguém com mais risco na sua frente, o legal é que ninguém te explica esse critério de risco. Foi isso que aconteceu comigo, tinha uma senhora que tava quase desmaiando de enxaqueca, mas tava esperando a horas pois enxaqueca não se prova ser muito arriscada a morte, apesar da dor pirar agente. Eu e ela ficamos umas três horas vendo a sala de espera encher e esvaziar , e nada de atendimento. É incrível a sala de atendimento de um pronto socorro publico, um monte de gente sofrendo, dores e faces consternadas por todos lados, enfermeiras passando de um lado p/ outro, médicos também, alguns rindo fazendo piada com os colegas e nas cadeiras as pessoas lá aguardando o maldito monitor estampar seus nomes para o atendimento. Depois de longa espera fui atendido por doutora loirinha linda de sotaque sulista, olhou a garganta e cinco minutos me receitou um antiinflamatório e me despachou. Ao sair da unidade tive uma rara visão, a Praça Sãs Penã quase deserta num tom cinza dado pela chuva, eu não estava muito afim de voltar p/ casa , assim vasculhei a agenda do celular atrás de algum amigo morador da tijuca que pode-se conversar e me ajudar a amainar minha solidão chuvosa. Achei o Mauro que também estava só em casa,mas muito mais confortável na seu próprio isolamento voluntário, como o Mauro é um grande amigo, aceitou que perturbasse sua meditação ressaquista de domingo com minhas angustias, assim me dirigi ao seu refugio na Rua Maria Amália.
Mauro com bom boêmio, já me recebeu com uma gelada esfumaçando de frio, nevada pelas gotículas de vapor d’água do ar que indicam ao bebum que a cerveja está própria para o consumo! Ele estava preparando o almoço, assim me recostei num baquinho na cozinha , onde nós historiadores de oficio, filisofos de botequim por profissão, começamos a divagar sobre temas universais. Viajamos até o século XIII, inicio do renascimento italiano, a construção da individualidade, Petrarca e a imitatio modrena, Dante e seus novos conceitos de política, e claro Maquiavel e sua milhares de interpretações através dos tempos. Abordamos um autor em especial, Jacob Buckhart e sua celebre obra “A cultura do renascimento na Itália”, e como homem moderno se diferenciava do medieval ao criar uma nova sociabilidade, construindo uma natureza que independia do grupo, do coletivo, criando um indivíduo que era suficiente em si, que dava seus primeiros passos para uma nova forma de vida só. Entre um gole outro o papo foi da erudição dos modernos, até as nossas próprias desventuras, insucessos profissionais e amorosos, já que eu acabava de terminar um relacionamento e estava procurando mesmo era um ombro amigo. Almoçamos mas o paladar ainda pedia mais algumas geladas, Mauro sugeriu um autêntico boteco tijucano localizado na praça Xavier de Britto, o Bar do Neca, pertencente ao seu Manel autentico português de Detrás Dos Montes. Lá pedimos uma Boemia gelada , excelente representante do néctar bávaro, que sorvermos com prazer alviçareiro. No fundo do bar havia uma mulher morena de olhos verdes, que apesar dos castigos do tempo exibia uma beleza resistente. Sorvia sua cerveja acompanhada de uma taça de Steinheighan (Água ardente alemã), parecia não ligar para os presentes e estava absorta em seus pensamentos. Não consegui tirar os olhos dela, e a fitava com canto dos olhos enquanto conversava com o Mauro e bebia minha cerveja. Quando ela veio ao balcão puxei papo, mas ela não deu muita atenção, e voltou para sua embriagues solitária em sua mesa. Apesar da rudeza daquela mulher continuava a beber a olhar para ela, sua postura distante, seu jeito atemporal parecendo estar inerte no século. De repente ela levantou, virou o ultimo gole de cerveja e ultima talagada na taça, veio ao balcão jogou o dinheiro para seu Manel e se dirigiu a mim:
- Lindo hoje não é dia de papo, quem sabe outro dia!
Afagou meu rosto e foi embora, me dirigi ao Mauro e disse:
- É isso Mauro! O que a nossa sociedade moderna conseguiu!
- O que cara? Perguntou Mauro intrigado.
- A Solidão veio! A Solidão é a maior conquista da Modernidade!
*O segundo título é uma contribuição inestimável do Grande Carlos Pereira Jr, o "Focault Negro"
11 outubro 2008
A Neurose do Patrão Burro
Mais um dia de trabalho numa grande livraria de um shopping carioca, a qual não vou citar o nome, pois vai que me torno um cronista e blogueiro famoso e essa crônica se torna popular, vai? Melhor evitar processos futuros. Assim também não contem com os verdadeiros nomes dos personagens, e sobrenome nem pensar! Bem, como dizia... Chegava eu para iniciar minha jornada laboratória na grande livraria a qual eu vendia minha força de trabalho, entre os cumprimentos habituais comecei a me preparar para entrar no salão e atender os clientes. Claro que antes disso sempre havia um ritual básico, guardar a mochila, trocar a roupa comum pelo uniforme, uma camisa amarelo ovo com a logomarca enorme da empresa, tomar um café , ir para o salão arrumar os livros fora de lugar e ai então atender os clientes. Já no café seu Marcus, o dono da franquia da loja, entra como um furacão na cozinha, diz:
- Vamo lá trabalhar logo que essa loja tá uma zona!
Nem deu tempo de terminar o café, claro que um estudante de história e pretenso intelectual como eu, tinha que desafiar o poder estabelecido. Terminei o café com a maior da calmas olhando a indignação apressada do meu patrão, e fui tranquilamente para o salão buscar meus a afazeres. A zona que seu Marcus falava era um livro ou outro deitado na estante fora de lugar, revista na área de leitura abertas e uma ou outra bunginganga que ele vendia no balcão pela loja. Realmente uma um tisunami tinha passado pela loja. Em cinco minutos arrumamos tudo e ficamos esperando os clientes chegarem. Claro que numa segunda-feira de manhã não havia muitas pessoas interessadas em livros naquele shopping, nem havia muita gente no shopping. Assim nos posiocinamos nas posições pré-fixadas pelo dono loja p/ recebermos os clientes, ele tinha feito um mapa da loja e ficávamos em posições onde se podia vigiar toda loja; seu Marcus tinha pavor de furto e muitas vezes vigiávamos mais os clientes do que os atendíamos. Nem uma viva alma entrava na loja naquela manhã, estávamos imóveis e mudos nas nossas posições como seu Marcus gostava, ele também tinha horror a conversa, pois tínhamos que estar atentos ao cliente, pró-ativos, rapidamente buscar o que cliente queria e passar ao atendimento de outro, se demorávamos muito tirando uma duvida do cliente ele já fazia cara feia. Nesta segunda em particular a falta de movimento na loja era mais patente do que nunca, e humor do homem piorava a cada minuto. Seu Marcus estava rodando a loja como fera enjaulada, revoltado com o marasmo do dia, foi quando parou ao meu lado e perguntou:
- O que você ta fazendo aí parado?
Respondi como muita calma, porem com uma certa expressão de espanto, pela pergunta:
- Posicionado como o senhor determinou, esperando um cliente entrar, em silencio e atento.
Este fez uma cara de contrariedade apertando os olhos achando que estava curtindo com a cara dele. E disse:
Você não tem nada p/ fazer ou arrumar?
Respondi com acara de deboche que ele tanto esperava:
- Não, já arrumamos tudo, está tudo no lugar
Ele respondeu já alterando a voz:
- Mas vocês estão todos parados, sem nada o que fazer !
Respondi com calma, mas sem alterar a expressão de ironia:
- Estamos parados e em silêncio como o senhor determinou, já cumprimos a primeira etapa do serviço arrumando a loja, e agora estamos aguardando a clientela chegar , se ela não aparece não podemos fazer nada.
A cara do homem se fechou e ira parecia tomar conta daquele corpo pequeno e franzino, vociferou:
- Então arrumem alguma coisa p/ fazer, pois pago a vocês! Pago muito bem, e cada minuto que vocês estão parados me custa dinheiro!!!!!!!!
Todos fizemos uma cara de espanto com esse descalabro proferido por nosso irritado patrão. Fitamos uns aos outros, e parece que a telepatia nos tomou a todos. Tivemos o mesmo pensamento e ação. Todos se dirigiram as seções que tomavam conta, tirando todos os livros do lugar, os botando no chão nos corredores da livraria os re-arrumando da mesma forma na estante. Contudo nesse momento já era hora do almoço e o shopping começava a ficar movimentado, as pessoas começavam a entrar na loja, e quase todos os livros estavam fora de lugar. Seu Marcus começou a se desesperar e gritou para os vendedores:
- Olha , olha! Tem cliente na loja!
Com a cara mais cínica do mundo meu colega de trabalho Eduardo respondeu ao chamado:
- Calma seu Marcus , seu dinheiro é muito importante, vamos terminar arrumação para fazer valer nosso salário. Afinal os clientes podem esperar, né?
O homem franzino, ficou meio sem o que responder, pois ele mesmo tinha criado aquela situação, foi p/ o salão ele mesmo tentar atender a clientela, mas na achava nada, pois tudo estava sendo re-arrumado como ele mesmo ordenara.
- Vamo lá trabalhar logo que essa loja tá uma zona!
Nem deu tempo de terminar o café, claro que um estudante de história e pretenso intelectual como eu, tinha que desafiar o poder estabelecido. Terminei o café com a maior da calmas olhando a indignação apressada do meu patrão, e fui tranquilamente para o salão buscar meus a afazeres. A zona que seu Marcus falava era um livro ou outro deitado na estante fora de lugar, revista na área de leitura abertas e uma ou outra bunginganga que ele vendia no balcão pela loja. Realmente uma um tisunami tinha passado pela loja. Em cinco minutos arrumamos tudo e ficamos esperando os clientes chegarem. Claro que numa segunda-feira de manhã não havia muitas pessoas interessadas em livros naquele shopping, nem havia muita gente no shopping. Assim nos posiocinamos nas posições pré-fixadas pelo dono loja p/ recebermos os clientes, ele tinha feito um mapa da loja e ficávamos em posições onde se podia vigiar toda loja; seu Marcus tinha pavor de furto e muitas vezes vigiávamos mais os clientes do que os atendíamos. Nem uma viva alma entrava na loja naquela manhã, estávamos imóveis e mudos nas nossas posições como seu Marcus gostava, ele também tinha horror a conversa, pois tínhamos que estar atentos ao cliente, pró-ativos, rapidamente buscar o que cliente queria e passar ao atendimento de outro, se demorávamos muito tirando uma duvida do cliente ele já fazia cara feia. Nesta segunda em particular a falta de movimento na loja era mais patente do que nunca, e humor do homem piorava a cada minuto. Seu Marcus estava rodando a loja como fera enjaulada, revoltado com o marasmo do dia, foi quando parou ao meu lado e perguntou:
- O que você ta fazendo aí parado?
Respondi como muita calma, porem com uma certa expressão de espanto, pela pergunta:
- Posicionado como o senhor determinou, esperando um cliente entrar, em silencio e atento.
Este fez uma cara de contrariedade apertando os olhos achando que estava curtindo com a cara dele. E disse:
Você não tem nada p/ fazer ou arrumar?
Respondi com acara de deboche que ele tanto esperava:
- Não, já arrumamos tudo, está tudo no lugar
Ele respondeu já alterando a voz:
- Mas vocês estão todos parados, sem nada o que fazer !
Respondi com calma, mas sem alterar a expressão de ironia:
- Estamos parados e em silêncio como o senhor determinou, já cumprimos a primeira etapa do serviço arrumando a loja, e agora estamos aguardando a clientela chegar , se ela não aparece não podemos fazer nada.
A cara do homem se fechou e ira parecia tomar conta daquele corpo pequeno e franzino, vociferou:
- Então arrumem alguma coisa p/ fazer, pois pago a vocês! Pago muito bem, e cada minuto que vocês estão parados me custa dinheiro!!!!!!!!
Todos fizemos uma cara de espanto com esse descalabro proferido por nosso irritado patrão. Fitamos uns aos outros, e parece que a telepatia nos tomou a todos. Tivemos o mesmo pensamento e ação. Todos se dirigiram as seções que tomavam conta, tirando todos os livros do lugar, os botando no chão nos corredores da livraria os re-arrumando da mesma forma na estante. Contudo nesse momento já era hora do almoço e o shopping começava a ficar movimentado, as pessoas começavam a entrar na loja, e quase todos os livros estavam fora de lugar. Seu Marcus começou a se desesperar e gritou para os vendedores:
- Olha , olha! Tem cliente na loja!
Com a cara mais cínica do mundo meu colega de trabalho Eduardo respondeu ao chamado:
- Calma seu Marcus , seu dinheiro é muito importante, vamos terminar arrumação para fazer valer nosso salário. Afinal os clientes podem esperar, né?
O homem franzino, ficou meio sem o que responder, pois ele mesmo tinha criado aquela situação, foi p/ o salão ele mesmo tentar atender a clientela, mas na achava nada, pois tudo estava sendo re-arrumado como ele mesmo ordenara.
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